Amanhã ja faz um ano que partiste ...
Aqui o discurso da mãe de Miki no dia 28 de Janeiro 2004
« Pois, meu querido filho. Nós, a tua família, a mãe, o pai, a tua irmã Orsika, o avô, a avó, o Jancsi, a Ildikó, a Dalma e a tua noiva Adrienn, de quem gostavas tanto, nós vimos cá, não para dizer adeus, mas sim para conversar contigo.
Esta família é pequena. Estás a ver como a lista é curta? Agora ficou ainda mais curta. Agora, a mãe vai contar-te uma história e vamos lembrar os momentos felizes da nossa vida. Não precisava de dizer, mas desde o momento em que nasceste que gostámos muito de ti, adorámos-te. Eras uma criança bem educada e simpática.
Gostavas muito de brincar e principalmente de jogar futebol. Lembras-te? Lembras-te meu filho? Como gostavas de jogar futebol com o teu paizinho perto do lago e depois com os amigos? Adoravas jogar com a bola... Já naquela altura gostavas de dizer a todos que um dia ias ser um futebolista muito famoso. Nós sorrimos quando tu disseste isso a um jornal, com dez anos.
Os conselhos, aceitaste apenas os do teu pai e eu e a tua irmã estávamos sentadas, sem dizer uma única palavra, pois o futebol é coisa de homens e as mulheres não percebem nada disso, diziam vocês. Nos outros aspectos da vida, tu aceitaste sempre a palavra da tua mãe e eu tentei ensinar-te os princípios da bondade, amor, respeito e honestidade. Espero ter conseguido. Estou muito feliz... muito feliz por seres meu filho.
Sabes... dissemos sempre que a família está em primeiro lugar. E tu colocaste sempre a família em primeiro lugar. Gostaste sempre muito dos passeios que fizemos em família, dos bolos da tua mãe, das longas conversas com o Jancsi, das noites de Natal, gostavas muito de jogar às cartas. Como te preocupaste com a tua irmã e cuidaste dela. Tinhas tanto orgulho em ter uma irmã tão bonita e inteligente e ela também admirava muito, mesmo muito, a força do irmão.
Um dos nossos olhos está a chorar, mas o outro a sorrir. O nosso coração está a doer. Ninguém percebeu o que se passou. Mesmo sabendo que estiveste num sítio seguro, mesmo assim, estávamos sempre preocupados contigo. Toda a família gostava de te visitar em Portugal para te levar um pouco de calor das tuas raízes. Mas tu, mesmo num país estrangeiro, conseguiste dar o teu melhor. As pessoas começaram a conhecer-te e depois começaram a gostar de ti. Seguiram-se anos de muito sucesso. Mas tu nunca mais esqueceste as tuas origens. Mãezinha, disseste tu: Eu nunca vou esquecer que comecei aqui em Szabadhegy, perto do lago, e agora estou a jogar com futebolistas que antes só via jogar na televisão. Disseste isso muitas vezes. Gostaste tanto de futebol que até deste a tua vida por ele. Orgulhavas-te muito das tuas raízes em Gyor.
A tua vida começou a ter contornos muito bonitos. Para completar a tua felicidade, acabaste por conhecer o amor da tua vida e nós, a tua família, acompanhámos tudo com grande felicidade pois parecia que Deus os tinha criado um para o outro. Vocês estavam a planear um futuro em conjunto e nós, a família, estávamos muito felizes com o vosso amor. Estávamos a preparar o casamento para o Verão. Lembras-te, meu querido filho? E agora... temos a ansiedade de volta, a dor, a angústia. Só que agora a canção não ajuda. Vamos contar-te histórias sempre, meu querido filho. Eu prometo-te que continuarás a viver nos nossos corações. Para sempre! »